quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Esqueleto Apendicular - Membros Inferiores

Cintura Pélvica

Da mesma forma que a cintura escapular é a junção entre membros superiores e tronco, a cintura pélvica é a junção entre membros inferiores e tronco. Preste atenção, quando falamos em osso do quadril estamos nos referindo ao ílio, ísquio e púbis, a pelve é a junção do osso do quadril direito com o osso do quadril esquerdo, articulados anteriormente com a púbis e posteriormente com o sacro. O sacro participa aqui da pelve, porém ele é um osso do esqueleto axial, lembre - se que o mesmo faz parte da coluna vertebral... Não confunda!






Fonte: SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana. 22ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.


Osso do Quadril

Quando falamos do quadril sabemos se trata de uma estrutura com anatomia e topografia complexas, direito e esquerdo, osso plano e irregular, constituido pela fusão de 3 ossos, sendo eles, o ílio (porção superior), ísquio (porção póstero - inferior) e púbis (ânteo - inferior). Os dois ossos do quadril unem - se anteriormente pela sínfise púbica, cada um deles vai se articular posteriormente com a porção superior do sacro e lateralmente com o osso fêmur, a posição anatômica dos ossos se torna então facilmente identificadas, a fossa do acetábula onde se articula a cabeça do fêmur fica lateral e ligeiramente voltada para frente, enquanto que a sínfise púbica deverá estar anterior e medialmente, o túber isquiático posterior. Lembrando que existe uma diferença entre osso do quadril e pelve, quando falamos em pelve estaremos nos referindo a estrutura completa de ossos do quadril se articulando entre si anteriormente e posteriormente se articulando com as vértebras sacrococcígeas, a palavra pelve vem derivada do latin, pelvis, que significa bacia, podemos entender então porque algumas pessoas se referem a pelve como bacia.

Ílio

Formado por um corpo e uma asa, onde a asa é a porção superior.

Principais acidêntes ósseos:

  • Espinha ilíaca póstero - superior.
  • Espinha ilíaca póstero - inferior.
  • Espinha ilíaca ântero - superior.
  • Espinha ilíaca ântrero - inferior.
  • Crista ilíaca.
  • Face glútea ou externa.
  • Linha glútea anterior.
  • Linha glútea inferior.
  • Linha glútea posterior.
  • Fossa ilíaca.
  • Face auricular.
Ísquio

Formado por um corpo e um ramo.

Principais acidentes ósseos:

  • Túber isquiático.
  • Incisura isquiática menor.
  • Espinha isquiática.
  • Incisura isquiática maior.
  • Corpo e ramo do ísquio.
Púbis

Formado por um corpo e dois ramos.

Principais acidentes ósseos:

  • Tubérculo púbico.
  • Ramo inferior do púbis.
  • Ramo superior do púbis.
  • Face sinfisial.
Ilíaco - Vista Lateral


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Ilíaco - Vista Medial


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

FÊMUR

O fêmur ou osso da coxa é o mais longo e mais forte de todo o corpo. É o único osso longo entre a extremidade do quadril e a articulação do joelho.

Principais acidêntes ósseos:

Porção média e distal do fêmur vista anterior.

  • Corpo ou diáfise do fêmur, a patela esta localizada na porção distal do fêmur.
  • Note que a parte mais distal da patela situa – se a aproximadamente 1,25cm acima ou proximal à verdadeira articulação do joelho, com a perna completamente distendida, essa relação é importante no posicionamento para a radiografia da articulação do joelho.
  • Temos a superfície patelar, depressão triangular superficial e lisa, na porção distal da face anterior do fêmur, algumas essa depressão é também chamada de sulco intercondiliano.
Porção medial e distal do fêmur vista posterior.

  • A vista posterior da porção distal do fêmur demonstra melhor os dois grandes côndilos arredondados separados distal e posteriormente pela fossa ou incisura intercondiliana profunda, em cima da qual esta a superfície poplítea.
  • As porções arredondadas distais dos côndilos medial e lateral contêm superfícies lisas para se articularem com a tíbia. O côndilo medial e se estende inferiormente ou mais distalmente do que lateral, quando a diáfise femoral esta na posição vertical, isso explica porque o RC deve estar inclinado em um ângulo de 5º a 7º cefálicos para uma incidência lateral de joelho, de modo que os côndilos se sobreponham diretamente paralelos ao filme.
  • Uma diferença que distingue os côndilos medial e lateral é a presença do tubérculo adutor, uma área ligeiramente elevada que recebe o tendão de um músculo adutor, esse tubérculo esta está presente na face látero – posterior do côndilo medial.
  • Ele é bem visualizado por uma incidência lateral ligeiramente rodada na porção distal do fêmur e joelho, a presença desse tubérculo adutor no côndilo medial é importante na análise da rotação de uma incidência lateral do joelho, já que permite ao examinador se o joelho esta sub – rodado ou super – rodado, de modo a corrigir um erro de posicionamento, quando o joelho não esta em uma posição lateral verdadeira.
  • Os epicôndilos medial e lateral podem ser palpados como proeminências ásperas para fixação dos ligamentos e estão localizados nas porções mais externas dos côndilos, o epicôndilo medial junto com o tubérculo adutor é o mais proeminente dos dois.
Porção distal do fêmur e patela vista lateral.

Essa vista demonstra a relação da patela com a superfície patelar localizada na parte distal do fêmur.
  • Quando a perna é flexionada, a patela se move para baixo e é tracionada para dentro do sulco ou depressão intercondiliana, uma flexão parcial próxima de 45º, exibe a patela sendo tracionada apenas parcialmente para baixo, mas, com uma flexão de 90º, a patela se moveria mais para baixo, sobre a porção distal do fêmur.
  • Esse movimento e a relação da patela com a porção distal do fêmur ganha importância no posicionamento da articulação do joelho e da incidência tangencial da articulação patelofemoral.
  • A superfície posterior da porção distal do fêmur bem próxima a fossa intercondiliana é chamada de superfície poplítea, por sobre a qual passam os nervos e vasos sangüíneos poplíteos.

Porção distal do fêmur e da patela vista axial.

Demonstra mais uma vez a relação da patelar com a superfície patelar da porção distal do fêmur.
  • Outras estruturas como a fossa intercondiliana e os epicôndilos são bem demonstrados aqui.






Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Patela
Osso triangular chato, com cerca de duas polegadas de diâmetro. A patela parece estar de cabeça para baixo porque seu ápice pontiagudo está localizado na borda inferior e sua base é a borda superior.
A superfície anterior ou externa é côncava e áspera, e a superfície posterior interna é lisa e ovalada, pois se articula com o fêmur. Para saber se a patela é esquerda ou direita, quando desarticulada, podemos colocar este osso na bancada com a face articular voltada para baixo e com o ápice em sentido contrário a nós e soltá -la, ela se enclinará para o lado correspondente.

  • Base da patela.
  • Ápice da patela.
  • Face articular lateral.
  • Face articular medial.


Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Fibula
O osso menos da perna, esta localizada lateral e posteriormente ao osso maior, a tíbia.
  • A fíbula se articula com a tíbia proximalmente e com a tíbia e o tálus distalmente.
  • A extremidade proximal: cabeça da fíbula, ápice da cabeça da fíbula, colo da fíbula.
  • Diáfise, que é o corpo da fíbula.Extremidade distal: alargada pode ser palpada como uma protuberância na face lateral da articulação do tornozelo, sendo denominada maléolo lateral.



Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Tibia

A tíbia, como um dos maiores ossos do corpo, serve de suporte ao peso imposto à perna. A tíbia pode facilmente ser sentida por cima da pele, ao se palpar a porção ântero – medial da perna. Ela é composta de três partes: corpo e duas extremidades.
- Extremidade proximal: côndilos medial e lateral, eminência intercondiliana (tubérculos intercondilianos medial e lateral), facetas articulares (platô tibial), tuberosidade tibial (local de fixação do tendão patela), diáfise, crista ou borda anterior.
- Como pode se observar na vista lateral, as facetas articulares que formam o platô tibial inclinam – se posteriormente, 10º a 20º em relação ao eixo longitudinal da tíbia, essa é uma importante consideração anatômica, porque, quando posicionamos um joelho para a incidência AP, o raio central deve fazer uma angulação, quando necessário, em relação ao chassi e a mesa de exame para ficar paralelo ao platô tibial, essa angulação é essencial para demonstrar um espaço articular “aberto” em uma incidência AP de joelho.Extremidade distal: está é menor que a proximal e termina com um curto processo em forma de pirâmide, denominado maléolo medial, temos ainda, incisura fibular.




Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


Ossos do Pé

Tarsos

Os sete grandes ossos da porção proximal do pé recebem a denominação de ossos do tarso ou tarsais. Os nomes dos ossos do tarso são, calcâneo, tálus, cubóide, navicular, primeiro, segundo e terceiro cuneiformes. Os tarsos são maiores e menos móveis que os ossos do carpo, pois, fornecem a base de suporte do corpo, na posição ortostática. Algumas vezes os sete ossos do tarso são tratados como ossos do tornozelo, apesar de somente o tálus estar envolvido nesta articulação.

Calcâneo

O maior e mais forte osso do pé é este.
Com freqüência a parte posterior é denominada de osso do calcanhar.
À parte mais póstero – inferior do calcâneo contém um processo denominado tuberosidade.
Certos tendões de grande tamanho encontram – se aderidos a esse processo áspero e estriado, no qual, em seus pontos mais amplos, podem ser observados dois pequenos processos arredondados, o maior é o processo lateral e o menos pronunciado é o processo medial. Uma outra protuberância óssea que varia de tamanho e forma e é visualizada lateralmente em uma incidência axial é a tróclea fibular, algumas vezes também denominada processo troclear.
Na face proximal medial situa – se um processo ósseo mais proeminente denominado sustentáculo do tálus, que literalmente significa suporte para o tálus.
Tálus

O tálus é o segundo maior osso e está localizado entre a perna e o calcâneo.
O peso do corpo é transmitido por intermédio desse osso através das importantes articulações do tornozelo e talocalcânea.

Navicular
O navicular é um osso ovalado, achatado, localizado na face medial do pé, entre o tálus e os três cuneiformes.

Cuneiformes
Os três cuneiformes, (em forma de cunha), estão localizados na porção média do pé, entre os três primeiros metatarsos distalmente e o navicular proximalmente. O maior cuneiforme, que se articula com o primeiro metatarso, é o cuneiforme medial (primeiro), o cuneiforme intermédio (segundo), se articula com o segundo metatarso, sendo este o menor deles. O cuneiforme lateral, (terceiro), articula – se com o terceiro metatarso, distalmente, e com o cubóide lateralmente. Por fim todos os três cuneiformes articulam – se com o navicular proximalmente.

Cubóide

O cubóide esta situado na face lateral do pé, distal ao calcâneo e proximal ao quarto e quinto metatarsos.

Metatarsos

São os cinco ossos da região dorsal do pé. Numerados juntamente com os dedos, ou seja, começando co o um na face medial e terminando com o cinco na face lateral. É provida de três partes, a parte distal redonda de cada metatarso é a cabeça do metatarso, temos o corpo do metatarso, a extremidade proximal expandida de cada metatarso é chamada de base. A parte lateral da base do quinto metatarso é chamada de tuberosidade do quinto metatarso, bem proeminente, local aonde vai se inserir um tendão.A porção proximal do quinto metatarso assim como a tuberosidade é prontamente visível nas radiografias e é um local comum de traumatismo na região podálica, por isso essa área deve ser bem visualizada nos exames radiográficos.
Falanges
São os ossos mais distais do pé, que formam os artelhos ou dedos do pé. São numerados de um a cinco, começando do lado medial ou do primeiro artelho. Preste atenção no primeiro artelho, ele terá apenas duas falanges, sendo elas as falanges proximal e distal. Do segundo até o quinto dedo nós teremos três falanges, a proximal, a medial e a distal. Quando você for se referir a qualquer um dos ossos ou articulação do pé, o dedo e o pé devem ser identificados da seguinte forma, a falange distal do primeiro artelho direito ou ainda falange distal do primeiro dedo do pé direito, desta maneira quem for analisar o exame não ficará com duvida de qual estrutura estamos tratando. Tendo em vista que as falanges distais do segundo ao quinto artelho são de tamanho bem reduzido, por ser difícil a visualização dos ossos separadamente na radiografia.




Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Bibliografia:

  1. BONTRAGER, Kenneth L. Tratado de Técnica Radiológica e Base Anatômica. 5ed. Rido de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
  2. SOBOTTA, Johannes. Atlas de Anatomia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
  3. SLEUTJES, Lucio. Anatomia Humana, Podemos ser práticos e ir direto ao assunto?. São Caetano do Sul: Difusão, 2004.
  4. NETTER, Frank H. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
    Bom, o livro SOBOTTA nem preciso falar novamente, é demais da conta de bom... O SLEUJTES foi um presente que ganhei faz tempo, aliás 2004, e é um livro muuuito bom, muuuito didático, vale a pena ser consultado pra estudo, uma linguagem acessível, tem uma parte, aprendendo a falar "anatômes", em que o autor nos lembra de várias coisas que são necessárias na anatomia, fala um pouco da história da anatomia e a partir dai ele vai destrinchando os conteúdos, adoro esse livro e é uma opção de livro de anatomia, não perde em nada para os outros autores, a proposta desse livro é expor a anatomia de forma clara e descontraída e o autor conseguiu... Chega de rasgação de seda... O BONTRAGER e NETTER ficam para a próxima.
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